segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Artigo: "Desculpem o transtorno: estamos executando nossos compromissos"

*Artigo publicado nesta segunda-feira, no jornal Correio do Povo


Voltássemos ao início do século XX e nos aliássemos ao ativo jornal Independente, as obras que estamos executando em Porto Alegre já estariam prontas.

Parte do êxito alcançado no chamado processo de higienização social da Capital, especialmente na zona central, deve ser creditado aos redatores e colaboradores daquele jornal, desejosos por ditar seus rumos, assim como do Estado, tarefa facilitada pela ausência de participação popular e  órgãos de controle.

Porto Alegre vive uma das maiores intervenções urbanas de sua história que, a exemplo das administrações dos prefeitos Loureiro da Silva, Telmo Thompson Flores, Guilherme Villela e os 16 anos de governos petistas somados, projetam seu futuro. É possível imaginar nossa cidade sem o Túnel da Conceição, Parque Marinha do Brasil, Terceira Perimetral? Elas causaram dissabores, mas quem hoje delas não usufrui?

O grande volume de obras se justifica não só pelo fato do antes Secretário da Copa, José Fortunati, estar hoje investido do mandato de prefeito ou pelo zelo em cumprir seus compromissos de campanha, mas, sobretudo porque o ato de desamarrar obras coincidiu com a disponibilidade de recursos federais.

Mas a vontade do governo Fortunati não se realiza no animus do antigo jornal Independente, sequer com seus métodos, que resultaram na expulsão dos “de baixo” para a periferia.  14 obras de grande vulto, sonhadas há meio século, devem estar subordinadas, nos dias de hoje ao controle social exercido pelo OP; à rigorosa legislação ambiental e sob a vigilância dos órgãos de controle. Além disso, fortalecendo a transparência, nosso governo optou por não utilizar o regime diferenciado de licitações e solicitou o prévio acompanhamento das obras pelo TCE.

Numa Porto Alegre sem direitos, mais de mil famílias seriam removidas da Av. Tronco celeremente, sem levar em conta suas expectativas. Desconsideraríamos o patrimônio histórico e “passaríamos as máquinas” no sítio arqueológico da Av. Voluntários da Pátria. Por outro lado, imprevistos também contribuem para o ajuste nos prazos previstos, como a falta de empresas interessadas em participar de licitações para a construção de casas para famílias de baixa renda.

Mas o resultado melhorará a cidade: novas ciclovias e os modernos BRTs, que irão qualificar e agilizar o transporte público; obras como a Avenida Edvaldo Pereira Paiva, corredor do BRT da Padre Cacique, Viadutos Pinheiro Borda e da Rodoviária e intervenções na Terceira Perimetral serão concluídas no prazo previsto.

Diante da magnitude da intervenção urbana que estamos executando, erros e imprevistos muitas vezes são inevitáveis e quando os cometemos prestamos contas e repactuamos com a comunidade, num paradoxal pedido de desculpas, porque, afinal, estamos cumprindo nossos compromissos. Cremos que os porto-alegrenses nos julgarão com isenção, atitude que o Independente sequer levaria em conta. Mas ele já não existe mais.


SEBASTIÃO MELO
Vice-prefeito de Porto Alegre

Nenhum comentário:

Postar um comentário